Domingo, Março 07, 2010

nota #86 - Deus não quer o mal

Neste domingo, Joseph Ratzinger fez outra declaração interessante.
"As desventuras, os acontecimentos funestos não devem ser para nós motivo de curiosidade ou de busca dos culpados, mas sim uma ocasião para refletir, para vencer a ilusão de poder viver sem Deus e para reforçar, com a ajuda do Senhor, nosso empenho em mudar de vida”
“Diante de sofrimentos e de lutos, a autêntica sabedoria é deixar-se interpelar pela precariedade da existência e ler a história humana com os olhos de Deus, o qual, querendo sempre e exclusivamente o bem de seus filhos – por um desígnio insondável do seu amor – certas vezes permite que sejam provados pela dor, para conduzi-los a um bem maior”.
Basicamente, Deus não quer o mal, mas permite que existe o mal em detrimento de um "bem maior".


Isso me fez pensar sobre o tal do Paradoxo de Epicuro, que diz o seguinte:


Sentença: Se Deus é omnipotente, omnisciente e benevolente. Então o Mal não poderia continuar existindo.
Explicação:
Para Deus e o Mal continuarem existindo ao mesmo tempo é necessário que Deus não tenha uma das três características.
Se for omnipotente e omnisciente, então tem conhecimento de todo o Mal e poder para acabar com ele, ainda assim não o faz. Então Ele não é Bom.
Se for omnipotente e benevolente, então tem poder para extingir o Mal e quer fazê-lo, pois é Bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto Mal existe , e onde o Mal está. Então Ele não é omnisciente.
Se for omnisciente e Bom, então sabe de todo o Mal que existe e quer mudá-lo. Mas isso elimina a possibilidade de ser omnipotente, pois se o fosse erradicava o Mal. E se Ele não pode erradicar o Mal, então por que chama-lo de Deus ?

Penso que a explicação do Papa de que o mal existe em prol de um bem maior é uma fuga a questão. Penso que seja muito mais simples o fato de que Deus  não existe, o universo não é um lugar "justo" e coisas ruins acontecem, aconteceram e sempre aconteceram. Não?

0 comentários: